A discussão sobre a oferta de vagas na educação infantil em Aparecida de Goiânia dominou os debates da Sessão Ordinária da Câmara Municipal e ampliou o foco para a necessidade de maior articulação política na captação de recursos para o município.
Durante o debate, o presidente da Casa, vereador Gilsão Meu Povo, defendeu maior engajamento de deputados federais, senadores e parlamentares estaduais que obtêm votos na cidade, mas que, segundo ele, poderiam ampliar a destinação de emendas parlamentares para Aparecida. O presidente ressaltou que a busca por investimentos também integra as atribuições do Legislativo municipal e anunciou a intenção de organizar, ainda neste semestre, uma comitiva de vereadores para cumprir agenda institucional em Brasília, com o objetivo de pleitear recursos e reforçar o diálogo com a bancada federal.
A vereadora Camila Rosa manifestou entendimento semelhante, destacando que o fortalecimento da interlocução entre vereadores, deputados e senadores é estratégico para assegurar investimentos estruturantes. Já o vereador Gleison Flávio mencionou emendas do deputado federal Professor Alcides destinadas à construção de uma unidade de saúde e de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), além de recursos do senador Jorge Kajuru para o município.
O vereador Edinho defendeu o reconhecimento público aos parlamentares que efetivamente direcionam recursos à cidade. O vice-presidente da Câmara, Rogério Almeida, reforçou a importância da articulação junto à bancada federal e à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), relatando diálogo com a deputada federal Silvye Alves, que, segundo ele, teria sinalizado apoio a iniciativas voltadas ao atendimento educacional de pessoas com autismo. Ele também destacou a atuação do deputado estadual Karlos Cabral.
O vereador Olair Silva sugeriu a realização de um levantamento detalhado das emendas destinadas ao município, a fim de conferir transparência sobre os recursos encaminhados e sua origem parlamentar. Na mesma linha, o vereador Isaac Martins avaliou que, em ano eleitoral, o debate deve considerar a escolha de representantes com vínculo direto com o município, diante do porte e da relevância econômica de Aparecida no contexto estadual.
Vale-Creche e déficit de vagas
A pauta teve origem em questionamentos sobre o funcionamento do programa Vale-Creche. O vereador Felipe Cortez cobrou esclarecimentos sobre o anúncio da Prefeitura de que mais de 12 mil crianças seriam beneficiadas. O vereador Lipe Gomes ponderou que, apesar da divulgação oficial indicar possibilidade de livre escolha da unidade pelos pais, o modelo do programa estaria baseado em convênios já existentes, carecendo, segundo ele, de informações detalhadas sobre os serviços oferecidos.
Em resposta, Gilsão informou ter dialogado com a secretária municipal de Educação, que relatou que parte expressiva das vagas anunciadas já foi preenchida. O presidente destacou ainda que o déficit de vagas em CMEIs é um desafio estrutural enfrentado por diversos municípios brasileiros.
O vereador Roberto Chaveiro afirmou que, em sua região, unidades conveniadas já operam regularmente e atendem à demanda local. Ele criticou o que classificou como atuação esporádica de parlamentares que comparecem ao município apenas em períodos eleitorais.
Complementando as informações, o vereador Tatá Teixeira explicou que foi aberto credenciamento para instituições interessadas em integrar o convênio do Vale-Creche. Segundo ele, o valor do benefício varia conforme o agrupamento: entre R$ 700 e R$ 800 mensais para período integral e R$ 400 para meio período.
Ao encerrar o debate, Gilsão afirmou que, conforme informações da Secretaria de Educação, o atendimento às vagas seguirá de forma contínua até o fim do ano, à medida que novas disponibilidades forem abertas. Ele acrescentou ter sugerido a ampliação das unidades já existentes como alternativa para mitigar a pressão por vagas enquanto novas estruturas permanentes não são construídas.