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Justiça decreta nova prisão de dono da Choquei e amplia cerco a investigados por esquema bilionário – Portal G360

Justiça decreta nova prisão de dono da Choquei e amplia cerco a investigados por esquema bilionário

by g360noticias

A Justiça Federal determinou, na tarde desta quinta-feira (23), a prisão preventiva do influenciador Raphael Sousa Oliveira, conhecido por ser o criador da página Choquei, além de outros investigados apontados em um suposto esquema de lavagem de dinheiro de grande escala. A decisão atende a um novo pedido da Polícia Federal (PF), após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter concedido habeas corpus que resultou na soltura dos envolvidos.

A medida reverte o entendimento anterior do STJ, que havia considerado ilegal a prisão temporária decretada por 30 dias. Na ocasião, o relator do caso, ministro Messod Azulay Neto, destacou que a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, já cumprido, o que tornaria a manutenção da custódia irregular naquele momento processual.

Diante disso, a PF apresentou novos elementos à Justiça Federal de São Paulo, sustentando a necessidade da conversão das prisões temporárias em preventivas. O argumento central é de que há indícios consistentes de participação dos investigados em uma organização criminosa estruturada, o que justificaria a manutenção das prisões para garantia da ordem pública e continuidade das investigações.

Além de Raphael, a decisão também alcança nomes conhecidos do cenário musical, como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, apontados como peças relevantes no suposto esquema financeiro ilícito.

A defesa de Raphael Sousa reagiu à decisão. O advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros informou que recorrerá imediatamente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), ao próprio STJ e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a nova determinação judicial apresenta falhas já apontadas anteriormente.

De acordo com o defensor, a decisão não traz fundamentação individualizada em relação ao influenciador. “O juiz sequer menciona o nome de Raphael na decisão, o que evidencia ausência de análise específica sobre sua conduta”, argumentou. A defesa também sustenta que não há elementos concretos que justifiquem a adoção da prisão preventiva, classificando a medida como desproporcional e contrária aos princípios constitucionais.

Investigação e suspeitas

Raphael Sousa foi preso inicialmente em 15 de abril de 2026, durante a operação “Narco Fluxo”, deflagrada pela Polícia Federal em Goiás e outros oito estados. As investigações apontam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de mecanismos como criptoativos, empresas de fachada, apostas ilegais e rifas digitais.

Segundo a PF, o influenciador exerceria o papel de operador de mídia da organização criminosa, sendo responsável por estratégias de comunicação voltadas à gestão de imagem e crises envolvendo integrantes do esquema. A página Choquei, administrada por Raphael, acumulava mais de 27 milhões de seguidores até a data da decisão judicial.

No mesmo contexto investigativo, MC Ryan SP é apontado como um dos principais beneficiários do esquema, com possível ligação a atividades de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme indicam as apurações preliminares.

Custódia em presídio de segurança máxima

Após a primeira prisão, Raphael permaneceu por dois dias sob custódia da Polícia Federal em Goiânia e, em seguida, foi transferido para o Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia — unidade destinada a presos de alta periculosidade ou envolvidos em operações especiais.

No local, os detentos seguem regime com rotinas controladas, incluindo alimentação regular, período diário de banho de sol e visitas restritas.

Alcance da decisão

Com a nova decisão judicial, Raphael e outros 35 investigados tiveram as prisões convertidas em preventivas, enquanto três pessoas foram submetidas a prisão domiciliar. Entre os alvos estão apontados operadores financeiros, gestores e supostos articuladores do esquema, evidenciando a abrangência da investigação conduzida pela Polícia Federal.

O caso segue sob apuração e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço das investigações e análise dos recursos apresentados pelas defesas.