A Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara Municipal de Goiânia promoveu audiência pública para apresentação da prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde referente ao último quadrimestre de 2025, período entre setembro e dezembro. O encontro reuniu parlamentares, representantes sindicais, conselhos de saúde e membros da sociedade civil, que utilizaram o espaço para avaliar resultados, apontar falhas e cobrar melhorias no sistema.
Dados apontam investimento acima do mínimo e alta demanda por atendimentos
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, o município aplicou 21,23% de seu orçamento na área, índice superior ao mínimo constitucional de 15%. No mesmo período, a rede municipal registrou 5,2 milhões de procedimentos ambulatoriais, abrangendo ações de prevenção, diagnósticos, atendimentos clínicos e cirúrgicos.
Os dados apresentados também indicam crescimento na demanda por serviços hospitalares. As internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passaram de 77,1 mil, em 2024, para 80,4 mil em 2025. Além disso, foram contabilizados 168,3 mil atendimentos de urgência, 10,3 mil procedimentos hospitalares e 67 mil atendimentos psicossociais.
Apesar dos indicadores apresentados, representantes de entidades destacaram dificuldades enfrentadas pelos usuários do SUS em Goiânia. Entre as demandas, está a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Região Leste da capital, considerada estratégica para desafogar outras unidades.
Durante a audiência, também foram levantadas questões relacionadas às condições de trabalho dos profissionais da saúde. Entre os principais pontos de preocupação estão o déficit de servidores, falhas na convocação de aprovados em concurso público, problemas na regulação de atendimentos, além de riscos de terceirização e de privatização de serviços. Representantes sindicais ainda defenderam a revisão da tabela salarial e a atualização do plano de carreira da categoria.
Vereadores intensificam cobranças por resultados concretos
O debate também foi marcado por questionamentos de parlamentares sobre a efetividade dos investimentos realizados. Entre as críticas, destacou-se a avaliação de que o aumento da arrecadação municipal ainda não se refletiu na melhoria da qualidade do atendimento prestado à população, especialmente no que diz respeito à infraestrutura das unidades de saúde.
Outra preocupação levantada foi o aumento expressivo nos registros relacionados a óbitos de recém-nascidos. O tema gerou questionamentos sobre possíveis falhas na rede de atendimento materno-infantil e na gestão do sistema de saúde durante o período analisado.
Secretaria aponta redução de óbitos e medidas preventivas
Em resposta, o secretário Luiz Pellizzer esclareceu que os números apresentados se referem a óbitos por afecções perinatais, condições associadas à gestação e ao período próximo ao parto e não necessariamente à mortalidade infantil como um todo.
Segundo ele, houve redução nos casos: de 204 registros em 2024 para 155 em 2025, o que representa queda de 24%. Como estratégia para enfrentar o problema, a Secretaria informou a criação de ambulatórios especializados no atendimento de gestantes de alto risco, com foco na prevenção de complicações no período perinatal.
Controle social reforça pressão por avanços na saúde pública
O presidente da Comissão de Saúde avaliou a prestação de contas como positiva, mas ressaltou a importância da fiscalização contínua e da participação popular no processo.
A audiência evidenciou o papel do controle social na gestão do SUS, com forte participação de conselhos, sindicatos e representantes da sociedade civil. As manifestações reforçaram a necessidade de ampliar investimentos não apenas na estrutura física das unidades, mas também na valorização dos profissionais e na qualificação do atendimento, sobretudo em regiões com maior demanda por serviços básicos e de urgência.
O debate expôs um cenário de avanços nos indicadores, mas também de desafios persistentes, que mantêm a saúde pública de Goiânia no centro das discussões políticas e sociais.