Após mais de duas décadas fora do calendário brasileiro, a principal competição de motovelocidade do planeta voltará ao país. A cidade de Goiânia sediará, entre os dias 20 e 22 de março, uma etapa do campeonato mundial de MotoGP, no Autódromo Internacional Ayrton Senna.
O retorno da categoria ao Brasil ocorre com apoio do Governo de Goiás e foi articulado pelo governador Ronaldo Caiado e pelo vice-governador Daniel Vilela, que conduziram negociações para trazer novamente a competição ao país.
Em dezembro de 2024, o governo estadual firmou parceria com a promotora do campeonato, a Dorna Sports, e com a Brasil Motorsport, assegurando a realização de cinco edições da MotoGP em Goiânia entre 2026 e 2030.
“É um evento que coloca Goiás no mapa mundial do esporte. Trabalhamos muito para recuperar o estado e ter condições de promover algo dessa magnitude”, destacou o governador Ronaldo Caiado.
Temporada internacional
A temporada 2026 da MotoGP teve início com o Grande Prêmio da Tailândia, disputado no Circuito Internacional de Chang, na cidade de Buriram. O campeonato conta com 22 etapas ao longo do ano, reunindo os principais pilotos da motovelocidade mundial.
No Brasil, a abertura oficial da prova terá participação especial do cantor Gusttavo Lima, que foi confirmado para interpretar o Hino Nacional Brasileiro no domingo (22), instantes antes da largada da corrida principal.
Investimento em infraestrutura
Para receber o evento, o governo estadual realizou um amplo processo de modernização do autódromo, com investimentos estimados em R$ 250 milhões.
As obras foram executadas em parceria entre a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) e a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer de Goiás (Seel). Entre as intervenções realizadas estão:
- modernização das arquibancadas e camarotes;
- construção de uma nova torre de controle;
- implantação de centro médico;
- reconstrução e ampliação do paddock e da área técnica;
- reforma da área administrativa e dos blocos de apoio.
O circuito também passou por alterações estruturais. O traçado de 3.835 metros foi completamente refeito e teve a largura ampliada de 12 para 15 metros, além da modernização das áreas de escape para elevar o nível de segurança e competitividade.
A nova pavimentação foi projetada para suportar altas velocidades e garantir maior aderência, atendendo às exigências técnicas da categoria.
Antes da confirmação da etapa, no dia 28 de fevereiro, o autódromo recebeu um evento-teste, no qual pilotos convidados simularam condições reais de corrida. Técnicos da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) avaliaram o circuito e atestaram que a pista atende aos padrões necessários para sediar a prova.
Impacto econômico e turístico
Além do aspecto esportivo, a realização da etapa brasileira da MotoGP deve gerar impacto expressivo na economia goiana.
Estimativas do governo estadual apontam que o evento pode movimentar cerca de R$ 870 milhões, especialmente nos setores de hotelaria, comércio, alimentação e serviços. A arrecadação tributária também deve ser impulsionada, com previsão de R$ 130 milhões em impostos, entre ICMS e ISS.
Segundo o vice-governador Daniel Vilela, o retorno da categoria representa uma oportunidade estratégica para fortalecer o turismo e ampliar a visibilidade do estado.
“É um investimento importante para o turismo, hotelaria, bares e restaurantes. E tudo isso com a determinação do governador Ronaldo Caiado, que foi atrás e conquistou esse grande evento para Goiás”, afirmou.
A expectativa é que mais de 150 mil pessoas circulem pela capital durante o fim de semana do Grande Prêmio, incluindo turistas nacionais e estrangeiros. O evento também deve gerar cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos.
Retorno histórico
O Autódromo Internacional Ayrton Senna possui tradição histórica no automobilismo e na motovelocidade desde sua inauguração na década de 1970. O circuito já recebeu provas do Mundial de Motovelocidade entre 1987 e 1989.
Com a retomada da MotoGP no Brasil, Goiânia volta a figurar entre os principais palcos do esporte a motor internacional, ao lado de grandes centros esportivos do país, como o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, conhecido por sediar etapas da Fórmula 1.